Perguntas e Respostas ECT

O que é eletroconvulsoterapia?

É a aplicação de um estímulo elétrico no cérebro com o objetivo de produzir uma convulsão terapêutica.

Para que serve?

É usada principalmente como último recurso no tratamento de quadros psiquiátricos graves resistente à terapia com medicamentos (depressão, esquizofrenia, bipolaridade). É especificamente eficaz em transtornos psiquiátricos graves como mania e catatonia e em situações de elevado risco de suicídio.

Como funciona?

A descarga elétrica gerada pela ECT ajuda a regular a liberação de neurotransmissores no cérebro, responsáveis pela transmissão de impulsos de informações de um neurônio para o outro.

Como é realizada?

A aplicação da ECT é feita por meio de dois eletrodos, colocados na parte temporal da cabeça. O paciente é anestesiado antes do procedimento tem sua freqüência cardíaca e pressão arterial monitoradas e é assistido por equipe composta por psiquiatra, anestesista, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Quanto tempo dura o procedimento?

O tempo total do procedimento é de cerca de 30 minutos. O paciente recebe uma anestesia de curta duração e permanece na sala de recuperação sob os cuidadosda equipe de enfermagem, até sentir-se bem. Após, recebe um lanche reforçado e já pode retornar para casa.

Quantas aplicações são necessárias?

A ECT costuma ser realizada três vezes por semana, sendo necessárias, em média, de 6 a 12 aplicações para que se atinja os resultados esperados. A freqüência e o número de aplicações são decididos em consenso entre o médico do paciente que indicou a ECT e a equipe especializada.

Quais os resultados?

O resultado é superior ao obtido com remédios. Enquanto a resposta ao tratamento com antidepressivo é da ordem de 60/70%, a ECT chega a 90% de resposta. Outra vantagem é que os efeitos da ECT são mais rápidos.

Quais os efeitos colaterais?

Dor de cabeça (que melhora com analgésicos comuns) e alterações na memória, recuperada no prazo máximo de seis meses. Estes efeitos são leves e pouco freqüentes.

Quais os riscos?

Os riscos estão relacionados à anestesia. Podemos comparar ao risco de qualquer procedimento ambulatorial, como uma lipoaspiração. As complicações graves ocorrem em 1 a cada 100.000 procedimentos. Assim, antes do início das aplicações, são realizados exames laboratoriais (hemograma, glicemia, nível sérico de potássio), eletrocardiograma, exame de fundo-de-olho ou tomografia de crânio, radiografia de tórax, avaliações cardiológica e odontológica. Isso garante a segurança do procedimento.

Para que serve a ECT de manutenção?

Pela lógica, cessa a causa, cessa o efeito. Se o paciente responde bem ao tratamento, pode ser realizada a ECT de manutenção, com periodicidade variável. Como ensina o Prof. Max Fink, da Univ. de Nova Iorque (NYU), se até aquele momento o paciente não respondeu aos medicamentos, não há nenhuma evidência de que isso magicamente ocorrerá após a ECT. É uma medida prudente, pois as recaídas são muito freqüentes nos casos graves. Não há limite para o número máximo de aplicações que uma pessoa pode receber em um esquema de manutenção.

Quais as contra-indicações?

A ECT é contra indicada em casos de infarto do miocárdio recente (até 6 meses), condições que aumentam a pressão intracraniana (tumores ou hematomas) e aneurisma cerebral ou sangramentos cerebrais ("derrames"). Arritmias do coração devem ser avaliadas por um cardiologista, pois a maioria não contra-indica a utilização de ECT.

Orientações e preparo antes do tratamento

Os agendamentos de datas e retornos devem ser bem observados.

Na data marcada, o paciente deverá:

  • Vir acompanhado por pessoa maior de 18 anos
  • Estar em jejum, iniciado às 22h do dia anterior ao tratamento. Pacientes que façam uso de medicação para hipertensão devem ingeri-la com pouca água (10ml), 4(quatro) horas antes da ECT.
  • Comunicar o médico no caso de portar qualquer tipo de alergia
  • Vir com os cabelos limpos e secos e com roupas confortáveis e abotoadas na frente.
  • Trazer roupas extras para troca, caso seja necessário.
  • Não usar esmalte e maquiagem no dia do tratamento, para facilitar a observação da coloração da pele e extremidades.
  • Retirar óculos, lentes de contato, próteses auditiva e dentária móveis, grampos e adornos de cabelo, relógio, jóias ou qualquer outro objeto de metal antes do procedimento, deixando-os com o acompanhante.
  • Alguém da família deve fazer um relatório semanal sobre o sono, higiene, alimentação, queixas e relacionamento do paciente com familiares, amigos e colegas de trabalho ou escola, que deverá ser entregue ao enfermeiro do Serviço de ECT.